O Pop To The People não podia deixar de falar do evento que aconteceu nos dias 9, 10 e 11 de Outubro, no interior de São Paulo: o SWU - Music and Arts Festival. No texto de hoje, nossos repórteres especiais enviados a Itu - Bruno Capelas e Dinha - e os colaboradores João Carlos Saran e Guilherme Bruniera trazem aqui comentários sobre os principais shows dos três dias de festival. Em breve também virá um texto sobre o festival como um todo - e até onde são levadas a sério suas propostas para o futuro (sustentabilidade, música e "um novo jeito de pensar e agir"). Boa leitura!
Os Mutantes – 09/10
A banda é lendária e influenciou gerações do rock nacional, mas o que deve ter passado pela cabeça de muita gente que foi ao interior de São Paulo sonhando com um Woodstock Brasileiro durante o show dos Mutantes foi certa amargura nostálgica. Primeiro: da formação original, só Sérgio Dias está no palco. Segundo: as roupas psicodélicas, os cortes de cabelo, os gritos de guerra, nada parecia emplacar. Em alguns momentos, porém, como nos clássicos “Baby” e “Balada do Louco”, a banda passou de simples documento histórico e conseguiu empolgar a platéia e fazê-la cantar junto. Prevalece o saudosismo: as canções do grupo paulistano cantam utopias de outro tempo. Antes o tom era de “vamos vencer”, hoje é de “parece que algo se perdeu”. O fim do show, com “A Hora e a Vez do Cabelo Nascer”, evocou essa época – e deixou-me com dúvidas sobre o que era o famigerado SWU. Com certeza, entretanto, consigo dizer, que não era Woodstock. (João Carlos Saran)
Los Hermanos – 09/10
Não posso negar: em algum momento entre os 12 e os 15 anos, me tornei um fã dos Los Hermanos, com certa devoção cega. Era uma admiração que passava ao largo de qualquer mérito musical - era identificação mesmo: tanto com eles, quanto com o público que deles gostava. Dito isso, vamos ao show. Posando de "críticos da competitividade" de hoje em dia, acabaram por conquistar mais que fãs: fiéis de uma religião. E é difícil não recorrer a essa analogia batida quando se vê que, na Fazenda Maeda, Camelo e Amarante hipnotizaram seu público com recentes clássicos - como "Cara Estranho", "O Vencedor" e "Sentimental" - tal como encantadores de serpentes - levando público e artista a uma total sinergia. Ao fim de tudo, houve um tom de retorno, embora a banda continue a dizer que nada é definitivo. Adeptos da melhor tradição religiosa, insistem em ressurreições periódicas. (JCS)
Rage Against the Machine – 09/10
O que esperar de um show de uma das bandas mais polêmicas do mundo? Polêmicas, ora essa! A primeira passagem do RATM pelo Brasil foi marcada por tumultos, suspensão de transmissões, falhas no som e muito empurra-empurra, que levou a alguns desmaios e medo por parte dos fãs de ataques a sua integridade física. Ainda assim, a banda conseguiu superar os imprevistos e deixou os fãs brasileiros satisfeitíssimos. No que já vem sendo chamada de "Batalha de Itu", o conjunto de Zack de la Rocha e Tom Morello desfilou clássicos e mais clássicos, como "Killing in the Name", "Bulls on Parade" e "Testify" suplantando até a sensação de coito interrompido da platéia com as sucessivas interrupções. Mais do que isso: foi o primeiro sinal de que o preço dos ingressos não fazia jus às estruturas técnica e física do festival. (Guilherme Bruniera)
Os Mutantes – 09/10

Los Hermanos – 09/10

Rage Against the Machine – 09/10

Sublime With Rome - 10/10

Kings of Leon - 10/10
Em sua segunda visita ao Brasil, a última atração do segundo - e eclético - dia de festival, fez bonito. Já o seu público, nem tanto. Com um álbum recém lançado, o KoL preferiu dar ênfase ao terceiro e quarto discos, justamente os lançados após a primeira apresentação deles por aqui. Com a típica presença de palco de uma banda indie, a iluminação tradicional se destacou das demais compensando a falta de movimento. Porém, a interação do público foi pequena, com a saída de muitas pessoas antes do bis, e empolgação notável somente em três ou quatro hits. A causa pode ter sido justamente a grande heterogeneidade da audiência, pois o público que os recebeu superou a mega-atração do dia anterior, Rage Against The Machine. Seria portanto, mais uma prova da falha na distribuição das atrações pelos três dias. (Dinha)

Yo La Tengo - 11/10

Queens of the Stone Age - 11/10

Pixies – 11/10

Crédito das Fotos: Liliane Callegari (Mutantes, Los Hermanos, RATM, QOTSA e Pixies), Bruno Capelas (Yo La Tengo), Fabrício Vianna (Kings of Leon) e Marina Coelho (Sublime With Rome)
Acho que o Noa não deveria escrever sobre o Pixies. Tudo bem que é opinativo isso daqui. Mas ainda assim me incomoda a presunção do início do texto. Só um ser onipresente e onisciente poderia ter assistido a todos os shows e ainda ter condições de fazer análises sobre qual foi o melhor de todos. Como nenhum texto aqui foi escrito por Deus, isso não ocorreu. Então o melhor show não foi só o Pixies. Foram todas as bandas.
ResponderExcluirPra mim foi Los Hermanos.
Victor Ferreira
Apesar do tom meio pesado, to com o cara ai em cima, seu Noa, vc não devia ter escrito sobre os pixies, vc é muito adorador deles pra ser algo isento. Deixava esse texto prum blog só seu e dava pra alguém fazer esse texto.
ResponderExcluirPs: Nada como o profissionalismo ("nossos enviados especiais")
E o outro palco? Aquele que ia tocar Tulipa, Autoramas, Mombojó, etc etc etc?
ResponderExcluirFaltou falar de mais shows, como Mars Volta, Joss Stone, Regina Spektor, Incubus e até mesmo do Linkin Park.
ResponderExcluirFaltou também imparcialidade no Pixies ,no Los Hermanos e no Queens of the Stone Age( Josh Homme virtuoso é sacanagem).
No restante, os textos estão bons.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirTô com o Bina, e não abro ;)
ResponderExcluirHahahaha
Com carinho.
Como vocês não cobriram a parte de tendas eletrônicas? Ponto negativo pro PTTP haha
ResponderExcluirEu queria ter lido uma avaliação sobre o show do MSTRKRFT e do Tiestö, embora eu não goste muito do segundo haha
Abraço, continuem firmes.
@df_low
Uma análise fria dos shows pode ser feita por qualquer um. Basta que se citem as musicas e mais alguns detalhes da estrutura e quantidade de pessoas presentes. Uma análise, no entanto, como a feita sobre Los Hermanos, nao se encontra aos montes. Parabéns, Joao Carlos.
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